1701 foi um ano comum do século XVIII no Calendário Gregoriano. No Brasil colonial, o ano foi marcado pela crise de abastecimento nas recém-descobertas regiões auríferas de Minas Gerais, pelo crescimento desordenado dos arraiais mineradores e pela intensificação das missões jesuíticas junto aos povos indígenas do interior. Em Portugal, o rei dom Pedro II assinou um tratado de aliança com a Inglaterra e a Holanda, inserindo o reino luso na coalizão que se formava contra a França no contexto da Guerra de Sucessão Espanhola (1701–1714), cujos reflexos alcançariam a colônia brasileira ao longo da década seguinte.
Eventos
Contexto colonial: a febre do ouro As descobertas de ouro realizadas no final do século XVII nas regiões de Ouro Preto, Sabará e Caeté por bandeirantes paulistas como Antônio Dias de Oliveira e Manuel de Borba Gato haviam desencadeado uma corrida aurífera sem precedentes na história colonial. Em 1701, a afluência de aventureiros, comerciantes, escravizados e reinóis gerava uma crise aguda de abastecimento nos arraiais mineradores de Minas Gerais. O jesuíta André João Antonil, que percorreu a região nesse período, deixou detalhado relato dessa carestia, descrevendo como os mantimentos chegavam a preços exorbitantes e muitos trabalhadores morriam de fome nos acampamentos. O rei dom Pedro II expediu carta régia regulamentando o número máximo de escravizados que poderiam ser enviados anualmente do Rio de Janeiro para a região das minas — medida destinada a conciliar os interesses dos fazendeiros açucareiros do litoral, que temiam perder sua mão de obra, com as crescentes demandas dos mineradores do interior. A limitação imposta foi de 200 escravizados anuais saindo do Rio de Janeiro com destino a Minas Gerais.
A Igreja Católica na crise do abastecimento Em meio à carestia que assolava os arraiais de Minas Gerais em 1700–1701, as Santas Casas de Misericórdia e as enfermarias dos colégios jesuíticos nas cidades costeiras — sobretudo em Salvador e no Rio de Janeiro — funcionavam como o principal sistema de assistência médica e alimentar disponível à população pobre. A botica do Colégio dos Jesuítas do Rio de Janeiro, instalada no morro do Castelo, distribuía medicamentos gratuitamente aos necessitados, funcionando desde 1567 como referência de cuidados médicos na capitania. No sul do Brasil, os jesuítas continuavam a administrar os Sete Povos das Missões na região do atual Rio Grande do Sul, complexo de reduções que abrigava dezenas de milhares de indígenas guaranis e que contava com igrejas, hospitais, escolas, oficinas e impressora própria. Em 1700, havia sido instalada a primeira gráfica missioneira na Missão de Loreto, do lado argentino da fronteira, marco do desenvolvimento intelectual das Missões.
Criação do Estado do Maranhão e Grão-Pará Em 1701, o governo português reorganizou administrativamente os territórios do extremo norte do Brasil, consolidando o Estado do Maranhão e Grão-Pará como entidade autônoma em relação ao Estado do Brasil, com sede em São Luís do Maranhão. Nessa região, os jesuítas da Vice-Província do Maranhão atuavam nas missões do rio Amazonas e de seus afluentes sob a liderança dos missionários da Companhia de Jesus, que eram praticamente a única presença institucional do Estado português junto às populações indígenas do interior.
Quadro político
Nascimentos Ano — Silvestre Ferreira da Silva, cronista e vereador de Vila Rica, autor do Discurso do Descobrimento do Ouro de Sabarabuçu, obra fundamental para o estudo da formação dos arraiais auríferos de Minas Gerais no início do século XVIII. Morreu após 1755.
Mortes 1702 — Domingos Jorge Velho (?–c.1705), bandeirante paulista responsável pelo destruição do Quilombo dos Palmares em 1694, viveu ainda pelos anos iniciais do século XVIII antes de morrer na capitania de São Paulo. Sua data exata de morte é controversa, com fontes indicando datas entre 1702 e 1706.
Ver também Brasil colonial Ciclo do ouro Guerra de Sucessão Espanhola Missões jesuíticas na América Santa Casa de Misericórdia
Referências