O SS Spree foi um transatlântico alemão construído em 1890 pelo estaleiro AG Vulcan para a companhia de navegação Norddeutscher Lloyd (NDL). O navio ficou marcado na história marítima por uma carreira acidentada, uma reconstrução radical de engenharia e seu trágico desfecho militar na Guerra Russo-Japonesa.
Histórico de Serviço e o Resgate do Abyssinia O Spree partiu em sua viagem inaugural de Bremerhaven para Nova Iorque em 11 de outubro de 1890, operando rotas regulares no Atlântico Norte e na linha do Mediterrâneo. Em 18 de dezembro de 1891, o Spree protagonizou um grande ato de salvamento heróico no Oceano Atlântico. Ao cruzar com o navio britânico SS Abyssinia em chamas e em processo de abandono, a tripulação do Spree lançou seus próprios botes salva-vidas e realizou o resgate bem-sucedido de todas as 148 pessoas a bordo (60 passageiros e 88 tripulantes), evitando uma tragédia de grandes proporções.
Desastres Mecânicos Apesar de sua imponência, o navio sofria com falhas estruturais por depender de uma única hélice de propulsão (single-screw), uma escolha de projeto que foi duramente criticada na época pela engenharia naval. Em novembro de 1892, enquanto navegava em direção ao oeste no Atlântico, o eixo da hélice principal do Spree quebrou abruptamente, abrindo um grande buraco na popa do navio. Os compartimentos estanques impediram o naufrágio imediato, e a embarcação foi rebocada de volta para a Irlanda dois dias depois pelo navio Lake Huron. Em 1897, o navio sofreu outra quebra severa de maquinário, ficando completamente à deriva no oceano, o que forçou a companhia a retirá-lo de serviço.
Reconstrução como Kaiserin Maria Theresia Devido aos recorrentes problemas, a Norddeutscher Lloyd decidiu reconstruir o navio por completo em 1899. O casco do navio foi cortado ao meio e alongado em 20 metros no estaleiro. Sua configuração mecânica foi modernizada para receber duas hélices (corrigindo o erro de projeto anterior), além de ganhar uma terceira chaminé. O navio foi rebatizado como SS Kaiserin Maria Theresia, retornando ao mercado de luxo transatlântico de passageiros.
Serviço na Rússia e Naufrágio em Tsushima Em 1904, com a eclosão da Guerra Russo-Japonesa, a embarcação foi vendida para a Marinha do Império Russo. Os russos o converteram em um cruzador auxiliar de guerra e o rebatizaram como Ural. Ele foi equipado com armamento pesado e um dos sistemas de radiotelegrafia mais potentes da frota. Em 27 de maio de 1905, durante a histórica Batalha de Tsushima, o Ural foi severamente bombardeado por uma linha de navios de guerra da Marinha Imperial Japonesa. Sofrendo danos catastróficos no casco e incêndios incontroláveis, o navio foi finalmente afundado por torpedos japoneses, encerrando sua trajetória histórica de 15 anos.
Referências

