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Paraense que já clicou nomes como Madonna e Beyoncé é o primeiro fotógrafo brasileiro a ganhar uma exibição do tipo na instituição

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O fotógrafo Rafael Pavarotti e a capa do disco 'Confessions II', de Madonna, clicada por ele — Foto: Fotos de Reprodução

Ao encontrar uma câmera fotográfica do pai, quando tinha 12 anos, Rafael Pavarotti resolveu levá-la, sem que ele soubesse, para a escola. Naquele mesmo dia, o jovem nascido no distrito de Icoaraci, próximo a Belém, começou a fotografar os amigos e nunca mais parou. Era o começo de um caminho que o levaria ao posto de nome incensado da moda internacional. O paraense, de 33 anos, já clicou Madonna, Beyoncé e Rihanna, assinou ensaios e capas para revistas gringas, como Vogue, i-D e W Magazine, e produziu campanhas para marcas do calibre de H&M a Balenciaga, Balmain, Dior e Chanel. Uma produção cuja robustez faz dele o primeiro fotógrafo brasileiro a ganhar uma individual no Museu de Artes Decorativas, em Paris. “Rafael Pavarotti, Photographe” será aberta ao público no próximo dia 2 e fica em cartaz até maio de 2027.

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Entre as mais de 130 imagens em exibição, o público vai desbravar o universo de cores saturadas, formas volumosas e texturas sobrepostas de Rafael. Uma estética arquitetada desde a infância e inspirada tanto pela exuberância amazônica quanto pelas tradições artesanais familiares que o cercavam. “A conexão diária com a floresta deu a ele uma perspectiva única sobre luz e escuridão, densidade e cor”, afirma o curador da mostra, Sébastien Quéquet, a respeito do fotógrafo que, segundo o próprio museu, não dará entrevistas. “Mas ele não busca o naturalismo ao traduzir suas emoções. É como um choque visual capaz de atrair a atenção e, em seguida, fazer as pessoas refletirem.”

Exposição em Paris reúne mais de 130 imagens produzidas por Rafael Pavarotti

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Ensaio produzido para a Vogue América em 2023 — Foto: Rafael Pavarotti

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Clique para campanha de outono/inverno da Balmain em 2023 — Foto: Rafael Pavarotti
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Campanha de primavera/verão 2021 para a Dior — Foto: Rafael Pavarotti / Art + Commerc
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Ensaio ocupou as páginas da edição de setembro da Vogue Britânica, em 2022 — Foto: Rafael Pavarotti
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“As fotos são quentes, parecem suar”, avalia Alexandra Farah — Foto: Rafael Pavarotti
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Clique fez parte da campanha outono/inverno da Balmain em 2023 — Foto: Rafael Pavarotti
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A cantora Rihanna para capa da Perfect Magazine, em 2024 — Foto: Rafael Pavarotti
Mostra fica em cartaz até maio do ano que vem no Museu de Artes Decorativas
Rafael começou sua cruzada profissional aos 16 anos, ao produzir os primeiros trabalhos entre Rio, onde morou no Vidigal, e São Paulo, até embarcar para Londres e estabelecer-se, mais recentemente, em Paris. Diante da notoriedade (desde 2020 é representado pela agência nova-iorquina Art + Commerce, a mesma de Steven Meisel), adotou uma postura cada vez mais discreta. Em sua conta no Instagram, onde é seguido por 1 milhão de pessoas, há apenas imagens de trabalhos, sempre com legendas em inglês, e alguns registros de bastidores escondidos nos carrosséis de fotos. A postura comedida foi assimilada até mesmo por pessoas próximas. Um amigo procurado pela reportagem preferiu não conceder entrevista após consultar a equipe do paraense. “Ele é bem reservado”, limitou-se a dizer, em mensagem por WhatsApp.
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Da mesma geração de Rafael, o fotógrafo mineiro Higor Bastos não tem mais contato com o colega, mas guarda recordações de sua temporada carioca, quando compartilharam a mesma cena. “Ele sempre estudava muito e tinha muitas referências”, recorda-se. “Era uma mente à frente do seu tempo, com um olhar assertivo. Fazia coisas incríveis com uma câmera digital lá atrás.” Essência que segue latente em suas criações, como decodifica a especialista em moda e sustentabilidade Alexandra Farah. “As fotos são quentes, parecem suar. Ele carrega as referências do Pará, mas não é caricato”, observa. “Tem um estilo global sem escrever Brasil na testa.”
Beyoncé na capa da Vogue, fotografada por Rafael Pavarotti — Foto: Reprodução
As obras ganham projeção num momento em que a indústria é cobrada a reparar erros históricos. E, neste caso, tão importante quanto as escolhas estéticas é a força política das imagens. “Ele defende uma melhor representação dos tons de pele na moda”, comenta Sébastien, o curador, indicando o quanto isso permeia todo o processo criativo. “Frequentemente, Rafael contrata equipes formadas por pessoas racializadas, entre modelos, maquiadores, cabeleireiros e stylists. E isso é um passo para fazer as pessoas refletirem sobre intolerância e racismo.”
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A diretora criativa Camila Bossolan também trabalhou em parceria com Rafael no começo da carreira do rapaz no Brasil, entre editoriais de moda e produções para a marca Vanda Jacintho. “Ele era uma pessoa muito dedicada, um gênio. Se chegava um briefing, ficava superpilhado, mandando mensagens 24 horas por dia”, diz ela, que não tem mais contato com o fotógrafo como antes. “Ele era completamente obcecado pelo trabalho e tinha o dom de fazer networking. Atingiu um patamar de artista, cujas criações reconhecemos mesmo se não houver identificação. Merece estar exatamente onde está.”
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