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Ex-vereador aparece em relatório como responsável pela operação de empresas ligadas à facção; policiais disseram à Justiça Militar que ele seria o dono de fato da Transwolff
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Milton Leite (União Brasil) na tribuna da Câmara em sua última sessão como vereador em São Paulo — Foto: Richard Lourenço/Rede Câmara
Uma investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil aponta que o Primeiro Comando da Capital (PCC) teria controle, em tese, de 12 das 22 empresas que operam o transporte coletivo da capital paulista. O ex-vereador Milton Leite aparece entre os investigados e é citado como responsável direto pela operação de algumas dessas empresas. Policiais militares também afirmaram, em procedimento no Tribunal de Justiça Militar, que ele seria o dono de fato da Transwolff, empresa de ônibus de São Paulo.
As informações constam de decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) que determinou a prisão temporária de 13 investigados. O despacho, assinado pelo desembargador Sérgio Ribas, é resultado de um pedido do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), em investigação que é um desdobramento da Operação Decurio.
Segundo a decisão, os investigadores analisaram mensagens extraídas de celulares, documentos e informações financeiras e encontraram indícios de vínculos entre os investigados e integrantes ou colaboradores do PCC. O tribunal autorizou prisões, buscas e apreensões e acesso aos dados dos equipamentos apreendidos.
A referência a Milton Leite aparece na relação dos 13 investigados. O despacho afirma que o ex-vereador é citado nominalmente diversas vezes como responsável direto pela operação de algumas empresas controladas pelo PCC. Em seguida, registra que policiais militares, em procedimento na Justiça Militar, disseram que ele seria o dono de fato da Transwolff.
O documento não detalha quais seriam todas as empresas atribuídas a Leite nem apresenta, nesse trecho, elementos sobre sua eventual participação formal na sociedade da Transwolff.
Empresas
A investigação aponta que o grupo teria usado empresas de transporte para atuar em contratos públicos. Entre as companhias citadas estão a Translider, a A2 Transportes e a Transbellaflor.
José Daniel Satilite e Claudionor Sabino Tomaz são apontados como possíveis interpostas pessoas em negócios envolvendo empresas do setor. Segundo a investigação, os dois teriam recebido ordens de terceiros e participado de negociações envolvendo venda de ônibus e pagamento de comissões.
A polícia também aponta a atuação de Paulo Siqueira Korek Farias, empresário ligado à Translider e à A2 Transportes. Segundo o relatório, ele teria mantido influência sobre a Translider mesmo depois de deixar formalmente o quadro societário.
Em um dos diálogos analisados, Korek teria tratado da venda de 63 ônibus da Translider por R$ 1,26 milhão, com previsão de pagamento de comissão a José Daniel e outros envolvidos.
Para a polícia, as conversas indicam uma estrutura de empresas, pessoas interpostas e contratos públicos utilizada em benefício da organização criminosa. O despacho cita ainda negociações envolvendo empresas de transporte de Cubatão, Leme, São Vicente e Itanhaém.
Em Itanhaém, por exemplo, investigadores identificaram conversas sobre a tentativa de direcionar uma licitação para garantir a vitória de determinado grupo. Parte dos valores seria destinada, segundo a investigação, ao pagamento de vantagens indevidas e à organização criminosa.
A investigação também encontrou conversas sobre financiamento eleitoral e apoio político. Segundo o despacho, mensagens indicariam a participação de integrantes do PCC na definição e interrupção de aportes financeiros e na busca por apoio político. Os investigadores apontam ainda possível influência da organização sobre integrantes do Legislativo.
Um dos investigados é Danilo Marco Morgado Silva, candidato derrotado à Prefeitura de Praia Grande em 2024 e atualmente candidato a deputado estadual. A investigação aponta indícios de que sua campanha municipal teria recebido financiamento da organização criminosa.
José Ronaldo Alves de Sales, outro investigado, é descrito como uma ligação entre o setor de transportes e a política. Segundo a polícia, ele atuaria junto a integrantes da facção e políticos em questões relacionadas a licitações.
Milton Leite aparece nesse núcleo principalmente pela relação atribuída a ele com empresas de transporte. O despacho não aponta, no trecho dedicado ao ex-vereador, participação específica em financiamento eleitoral ou em uma determinada licitação.
O GLOBO tenta contato com a defesa dos citados, o espaço segue aberto.
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- São Paulo


