O bombardeiro de 2037 (em inglês: 2037 bomber) foi uma proposta de curta duração feita em 1999 pela Força Aérea dos Estados Unidos para modernizar e prolongar a vida útil da frota de bombardeiros dos EUA e adiar a introdução de uma "capacidade" de substituição (um bombardeiro estratégico ou alguma plataforma futura equivalente) até 2037. O plano foi criticado por legisladores e funcionários do Pentágono, alguns dos quais acreditavam que a frota existente corria o risco de se tornar obsoleta e sobrecarregada. No meio desta controvérsia, os funcionários da Força Aérea reviram este plano em 2001 para apresentar um cronograma acelerado para um novo bombardeiro. Consequentemente, foi iniciado o programa Next-Generation Bomber com o objetivo de introduzir um bombardeiro em 2018, mas este foi cancelado em 2009. Este programa foi reiniciado como o Long Range Strike Bomber, que resultou no Northrop Grumman B-21 Raider, atualmente previsto para entrar em serviço em 2026–2027.

Fim da produção do B-2 e iminente lacuna de bombardeiros Em 1998, um painel do Congresso norte-americano estudou os méritos de reiniciar a produção do B-2 Spirit, que havia terminado prematuramente em 21 aeronaves, muito aquém dos 132 bombardeiros furtivos (stealth) originalmente planeados. O painel, no entanto, endossou o fim da produção a favor da realocação de recursos para atualizações do B-2 ou para o desenvolvimento de tecnologia para uma futura aeronave de nova construção.

Algumas semanas depois, o Congresso ordenou ao Departamento da Força Aérea que atualizasse o seu roteiro de bombardeiros, revisto pela última vez em 1992. O livro branco resultante sobre os Bombardeiros de Longo Alcance, divulgado em março de 1999, projetava que uma nova "capacidade" precisaria de ser implementada no período de 2037. O documento estimava que, devido a perdas por acidentes e a outros fatores além da vida útil de serviço, o número de B-1 Lancer não atenderia aos requisitos da Força Aérea de 89 aeronaves até 2018. Para o B-2, o número de aeronaves cairia abaixo dos requisitos do serviço (de 19 aeronaves) até 2027 devido a uma combinação de acidentes e reformas de fim de vida útil. Previa-se que seria necessário começar a retirar os B-1s do ativo no final da sua vida útil por volta de 2038. Para os B-52 Stratofortress, o relatório estimou que o serviço seria "incapaz de manter o nosso requisito de 62 aeronaves até 2044". As necessidades de bombardeamento estratégico a curto prazo da Força Aérea poderiam ser atendidas através de extensões de serviço e aprimoramentos tecnológicos oferecendo "um aumento de dez vezes na letalidade dos bombardeiros" em comparação com 1992, de acordo com o documento. De acordo com esse roteiro, uma Avaliação da Área de Missão teria que ser concluída até 2013 com um programa de aquisição a começar em 2019, a fim de apoiar a capacidade operacional inicial (IOC) em 2037. O livro branco não identificou a "capacidade" de substituição como um bombardeiro ou qualquer tipo específico de aeronave porque, de acordo com o relatório, "os avanços tecnológicos podem levar-nos a uma configuração ou plataforma que de forma alguma se assemelha às aeronaves de bombardeamento atuais". A satisfação do Departamento da Força Aérea com o tamanho e a idade da frota de bombardeiros dececionou alguns membros do Congresso que acreditavam que uma nova aeronave seria necessária antes de 2037. Os argumentos para um cronograma mais acelerado foram reforçados, na opinião de alguns observadores, pela Revisão Quadrienal de Defesa (Quadrennial Defense Review - QDR) do DoD em 2001, que alertou para ameaças crescentes à projeção de poder dos EUA. O relatório afirmou que os desenvolvimentos nas defesas aéreas adversárias ameaçariam o poder aéreo dos EUA em conflitos futuros, e que o acesso a áreas negadas (denied areas) inimigas seria limitado a aeronaves furtivas. A Força Aérea admitiu que um novo bombardeiro seria necessário mais cedo quando atualizou as suas projeções de vida útil em novembro de 2001. Além de reconhecer as ameaças discutidas no relatório da QDR, o novo documento antecipou uma lacuna de capacidade devido a uma mudança estratégica da dissuasão nuclear para o bombardeamento convencional e à perda da capacidade de voo a baixa altitude do B-52. O documento identificou a possibilidade de a Força Aérea iniciar o seu programa de aquisição entre 2012–2015 para apoiar a IOC no período de 2025–2030. As recomendações do documento foram adotadas como política da Força Aérea pelo Subsecretário de Defesa para Aquisição e Sustentação, Edward C. Aldridge Jr.

Legado O Departamento de Defesa continuou a defender uma data de introdução do bombardeiro mais tardia. Na sua Revisão da Postura Nuclear (Nuclear Posture Review) entregue em dezembro de 2001, o DoD afirmou que a Força Aérea pretendia introduzir o seu próximo bombardeiro na década de 2040; internamente, essa lacuna ainda causava preocupação e alguns funcionários da Força Aérea expressaram apoio à complementação da frota de bombardeiros estratégicos existente com uma capacidade de ataque "interina" preenchida por "bombardeiros regionais", como as propostas do Lockheed Martin FB-22, Northrop Grumman FB-23 ou o Boeing B-1R. Apenas na Revisão Quadrienal de Defesa de 2006 é que o DoD formalizou a sua intenção de antecipar o projeto em quase duas décadas. Em seguida, a Força Aérea iniciou o programa Next-Generation Bomber com uma data de entrada em serviço prevista para 2018, mas este foi suspenso em 2009. O trabalho foi retomado sob o programa Long Range Strike Bomber (LRS-B), que resultou no Northrop Grumman B-21 Raider. Persistem debates dentro das fileiras da Força Aérea sobre o bombardeiro de 2037 e o futuro do ataque de longo alcance. O interesse da Força Aérea, ou a falta dele, num bombardeiro sucessor do LRS-B não foi divulgado publicamente. Em 2007, a analista da indústria de defesa Rebecca Grant chamou ao bombardeiro de uma "besta mítica" e lamentou a contínua fixação da Força Aérea no projeto.

Ver também Next-Generation Bomber Northrop Grumman B-21 Raider

Referências

Ligações externas Hebert, Adam J. (outubro de 2006). «The 2018 Bomber and Its Friends» (PDF). Air & Space Forces Magazine. 89 (10). Consultado em 10 de julho de 2008. Cópia arquivada (PDF) em 25 de setembro de 2025