Segue incerta a possibilidade de uma reunião entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva em Nova York, durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Restando menos de uma semana para a abertura do evento, tanto a Casa Branca, quanto o Itamaraty, ainda não tem confirmações sobre o encontro.81ª Assembleia Geral da ONU Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo da ONU, com sessões anuais regulares sendo realizadas entre setembro e dezembro. Reuniões emergenciais podem ser convocadas caso haja necessidade.O órgão é composto pelos 193 países membros da ONU, que possuem direito a um voto cada nas discussões.Todos os anos, a Assembleia Geral realiza a Semana de Alto Nível com a presença de chefes de Estado e de governo dos países da ONU. O evento acontece em Nova York, e é uma oportunidade para lideranças discursarem.Neste ano, o tema do evento é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.Tradicionalmente, o Brasil é o primeiro país a discursar na Assembleia Geral da ONU.Ao Metrópoles, um porta-voz da Casa Branca, ouvido reserva, afirmou que a agenda de reuniões do presidente norte-americano ainda não foi confirmada. Já o Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que não há expectativas para um possível encontro formal entre os dois presidentes.Segundo o secretário de Assuntos Multilaterais Políticos do Itamaraty, embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, existe a possibilidade de Lula e Trump se encontrarem brevemente nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, como aconteceu no último ano.O líder brasileiro é o primeiro a discursar no evento e, após a fala, passa o bastão para o presidente norte-americano. Foi nesse meio tempo que os dois conversaram em 2025 por alguns minutos nos bastidores do evento da ONU. Tempo suficiente suficiente para Trump sentir uma “química excelente” com o líder brasileiro.Uma possível reunião de Trump e Lula na ONU pode ser a oportunidade de os dois líderes debaterem assuntos que têm tensionado a relação entre EUA e Brasil. Leia também MundoPrefeito de Nova York convida Lula para reunião durante agenda na ONU MundoLula pode rebater críticas de Trump sobre combate ao PCC e CV na ONU MundoLula deve abordar interferências externas durante discurso na ONU MundoTrump diz que governo Lula falha no combate ao PCC e CV DesagradoNos últimos meses, a administração norte-americana adotou uma série de medidas que desagradou o governo brasileiro. Entre elas, a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, devido a demora do Itamaraty em conceder o aval diplomático para o embaixador designado por Trump para assumir a Embaixada dos EUA no Brasil.Além disso, os EUA voltaram a aplicar tarifas contra exportações brasileiras, alegando praticas comerciais brasileiras desleais, e acusações sobre falhas no combate ao trabalho forçado. Somadas, as alíquotas chegam a casa dos 37,5%.Outro ponto sensível na relação entre Washington e Brasília diz respeito a classificação das facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida é vista por autoridades brasileiras como uma maneira de os EUA deixarem brechas para possíveis ações — incluindo militares — contra o Brasil sob a bandeira de combate ao terrorismo.Na terça-feira (16/9), Trump enviou um documento para o Congresso dos EUA onde cita os dois grupos criminosos brasileiros. No relatório, que aborda países facilitadores ou produtores de drogas, o líder norte-americano acusou o governo brasileiro de falhar no combate ao PCC e CV, e disse que o Brasil se tornou um “centro de distribuição global de cocaína”.Ao mesmo tempo, o republicano elogiou governos de direita na América Latina, aliados aos interesses dos EUA na região, que estariam atuando para combater o tráfico internacional.6 imagensFechar modal.1 de 6Lula e TrumpAlice Rabello2 de 6arte/ Metropóles3 de 6Presidente Lula em reunião com o presidente dos EUA, Donald TrumpRicardo Stuckert / PR4 de 6Lula e Trump em foto oficial na Casa BrancaRicardo Stuckert/PR5 de 6Lula e Trump em encontro na Casa BrancaRicardo Stuckert/Presidência da República6 de 6Donald Trump e LulaAndrew Harnik/Getty ImagesParticipação de Lula na Assembleia Geral da ONULula embarca para Nova York no próximo domingo (20/9). A previsão, contudo, é de que a participação do presidente brasileiro na Assembleia Geral da ONU seja menor do que em edições anteriores por conta da campanha eleitoral deste ano.A única brecha para reuniões com outros chefes de Estado e autoridades é na segunda-feira (21/9). Até o momento, apenas um encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, está agendado. O prefeito de NY, Zohran Mamdani, convidou Lula para bilateral durante, mas o assunto ainda é analisado pelo governo brasileiro.Depois de realizar o discurso de abertura do evento, na manhã de terça-feira (22/9), Lula a retorna ao Brasil.A expectativa do Itamaraty é de que temas como a não interferência de países em assuntos internos de outras nações, e a defesa do multilateralismo, negociações de paz e do direito internacional humanitário.Lula também deve abordar a reforma no Conselho de Segurança da ONU, e cobrar paz aos cinco membros permanentes do órgão — EUA, China, Rússia, França, Reino Unido.No restante das atividades da Semana de Alto Nível da Assembleia Geral da ONU, o Brasil será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A previsão é de que o chanceler participe de uma série de reuniões e eventos em NY.Os ministros da Gestão e Inovação, dos Povos Indígenas e da Igualdade Racial também vão participar de atividades durante o evento.













