A Área de Proteção Ambiental Serra de São José (APA-SSJ) é uma área protegida de uso sustentável localizada no estado de Minas Gerais, Brasil. A unidade foi criada pelo Decreto Estadual No 30.934 de 16 de fevereiro de 1990, e inclui áreas da Serra de São José nos municípios de Tiradentes, Prados, Coronel Xavier Chaves e São João del Rei.

Características Conforme especifica o Decreto no 30.934, os objetivos da criação da APA são a proteção ambiental, "preservação do patrimônio histórico, paisagístico e da cultura regional, proteção e preservação dos mananciais, cobertura vegetal (cerrado e áreas remanescentes de Mata Atlântica) e da fauna silvestre" nas áreas situadas na Serra de São José.

Clima O clima na região é marcado por duas estações bem definidas: a seca (abril-setembro) e a chuvosa (outubro-março). A temperatura média anual gira em torno de 19° C.

Recursos hídricos A APA Serra de São José está inserida na bacia hidrográfica do rio das Mortes. No interior da unidade de conservação, há mananciais que constituem cursos d'água de pequeno e médio porte, como os córregos Santo Antônio, Areias, Mangues e Pedras.

Biodiversidade A APA apresenta três biomas distintos: Mata Atlântica, campo rupestre e cerrado. Ao longo da região sul da serra, encontram-se os remanescentes da Mata Atlântica, separados das matas de galeria e do cerrado no lado norte, pelos campos rupestres que ocupam as partes mais altas da serra. A presença de ambientes tão distintos numa área tão pequena, favorece a biodiversidade. Por exemplo, foram registradas 633 espécies diferentes de plantas na APA, com destaque para as orquídeas (80 espécies). Quanto à fauna, verificou-se a presença de 242 espécies de aves (entre elas o jacu), e nove espécies de mamíferos ameaçados de extinção (incluindo o lobo-guará, a onça-parda e a jaguatirica). Além disso, 32 espécies de anuros e 120 espécies de libélulas, um dos índices mais altos do mundo. Justamente esta grande quantidade de libélulas, levou à criação em 2004 do Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José, o que restringiu ainda mais as atividades econômicas na região.

Geografia e geologia A unidade protege a Serra de São José, um imponente maciço de quartzito que se estende por cerca de 12 quilômetros e constitui um marco geográfico visível de diversos pontos da região do Campo das Vertentes. A serra abrange os municípios de Tiradentes, São João del-Rei, Prados, Santa Cruz de Minas e Coronel Xavier Chaves, e seus pontos mais elevados ultrapassam os mil metros de altitude, oferecendo amplos mirantes sobre o entorno. Sua formação rochosa, de origem marinha muito antiga, sustenta uma paisagem de encostas íngremes e afloramentos de quartzito.

Patrimônio histórico Além do valor ambiental, a serra guarda vestígios do período colonial. Em suas encostas situa-se a chamada Calçada dos Escravos, um caminho calçado em pedra construído por pessoas escravizadas no século XVIII para facilitar o transporte do ouro e burlar a cobrança de impostos pela Coroa portuguesa. O próprio quartzito extraído da serra foi empregado no calçamento das ruas históricas de Tiradentes. Outro percurso histórico é a Trilha do Carteiro, assim chamada por evocar os mensageiros que cruzavam a serra levando correspondências no contexto da Inconfidência Mineira. A preservação desse patrimônio histórico e paisagístico foi um dos motivos expressos no decreto de criação da APA.

Turismo A Serra de São José é um dos principais destinos de ecoturismo da região, sendo a maior parte de seus visitantes hospedada em Tiradentes. Entre as trilhas mais procuradas estão a do Mangue, com cerca de 2,4 quilômetros de ida e volta a partir de Águas Santas, e a Travessia da Serra, com aproximadamente 8 quilômetros de percurso. O conjunto reúne ainda cachoeiras e nascentes, como a Cachoeira do Mangue e o Bosque de Mãe-d'Água, procurados para banho e contemplação. A Trilha do Carteiro, que passa pela Calçada dos Escravos, e os mirantes situados nos pontos mais altos figuram entre as atrações mais visitadas.

Conservação e gestão Classificada como unidade de uso sustentável (categoria VI da União Internacional para a Conservação da Natureza) e administrada pelo Instituto Estadual de Florestas, a APA convive com a expansão urbana e a pressão turística sobre a serra. A criação, em 2004, do Refúgio Estadual de Vida Silvestre Libélulas da Serra de São José, em seu interior, reforçou a proteção da área e restringiu ainda mais as atividades econômicas na região.

Referências

Ligações externas «Área de Proteção Ambiental Estadual São José». Consultado em 22 de maio de 2026 </ref>