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Governo americano elevou o tom a menos de uma semana do encontro que os presidentes dos dois países terão na abertura da Assembleia Geral da ONU
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Lula e Donald Trump — Foto: Evaristo Sa e Jim Watson/ AFP
A menos de uma semana do encontro que terá com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 22, na abertura da Assembleia Geral da ONU, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou novamente o tom contra o Brasil. No relatório anual enviado ao Congresso americano com a lista dos principais países de trânsito e produção de drogas ilícitas, Trump afirmou que o governo brasileiro falhou em confrontar o PCC e o CV, classificados por Washington como organizações terroristas, e cobrou “medidas enérgicas” contra as facções. O governo Lula divulgou nota, na quarta-feira à noite, negando falhas ou omissões no enfrentamento ao crime organizado.
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No relatório, Trump afirma que a atuação das duas organizações transformou o Brasil em um “centro de distribuição global de cocaína” e o país não tomou providências suficientes para reduzir o fluxo de drogas e desmantelar os grupos. Segundo o presidente americano, enquanto outros governos do Ocidente adotam medidas para combater o narcotráfico, a administração brasileira “falhou em confrontar as organizações estrangeiras designadas terroristas”.
“Essas organizações terroristas brasileiras representam uma ameaça crescente à paz e à segurança em todo o mundo, e o governo brasileiro precisa urgentemente tomar medidas enérgicas para confrontá-las e derrotá-las antes que se espalhem e cresçam”, diz.
A determinação ao Congresso, documento anual e obrigatório, apresenta os países que os EUA consideram grandes produtores ou rotas de trânsito de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027. O Brasil, porém, não aparece nessa lista, que leva em conta também fatores geográficos, comerciais e econômicos. Ainda assim, Trump fez crítica específica ao país ao tratar do combate às facções.
A designação do PCC e do CV como organizações terroristas estrangeiras, feita pelo governo americano neste ano, ampliou as ferramentas que Washington pode usar contra os grupos, como sanções financeiras, restrições migratórias e maior emprego de estruturas de inteligência. A classificação foi contestada pelo governo brasileiro, que apontou riscos à soberania e à segurança nacional.
Elogios à direita
O documento de Trump também contrasta o tratamento dado ao Brasil com os elogios a governos latino-americanos de direita. O presidente americano saudou a Argentina, o Equador e El Salvador como alguns de seus maiores aliados no continente e elogiou a nova presidente do Peru, Keiko Fujimori, pelo compromisso de combater o crime organizado. Também destacou a mudança de governo na Bolívia e a retirada da Venezuela da lista americana de países que falharam no combate ao tráfico.
A avaliação americana ocorre em meio a uma relação marcada por aproximações entre Lula e Trump, mas também por medidas unilaterais de Washington. Há um ano, os dois tiveram um breve encontro nos bastidores da Assembleia Geral da ONU. Trump descreveu a interação como de “excelente química”, e Lula também disse ter ficado positivamente surpreso. Cerca de um mês depois, eles se reuniram na Malásia e, ao fim da conversa, Trump afirmou estar impressionado com Lula.
A cordialidade, contudo, não impediu novos atritos. Naquele ano, os Estados Unidos chegaram a elevar para 50% as tarifas sobre a maior parte das importações brasileiras, em meio a críticas de Trump ao processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Neste ano, após a reunião de Lula e Trump na Casa Branca, em maio, Washington manteve a pressão comercial e, em julho, impôs tarifa adicional de 40% sobre produtos brasileiros, levando a alíquota a 50% em parte das mercadorias. Em agosto, os dois presidentes voltaram a se falar por telefone, em uma conversa classificada pelo Planalto como cordial, mas na qual Lula contestou as justificativas para o tarifaço.
Governo responde
Auxiliares de Lula consideraram o documento político, porque o Brasil não foi incluído entre os grandes produtores ou rotas de drogas, e mesmo assim, foi citado.
Em nota, o governo brasileiro contestou as críticas feitas por Trump e afirmou que elas desconsideram os esforços do país no combate ao crime organizado transnacional. O Ministério da Justiça observou que o Brasil aparece apenas na parte narrativa do documento, que não corresponde à categoria jurídica de descumprimento da legislação americana.
O governo citou entre as medidas adotadas a Lei Antifacção, sancionada em março, que endureceu as penas para líderes dessas organizações e criou mecanismos para atingir financeiramente suas operações. Também mencionou dezenas de milhares de operações federais e as ações do Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio.
A nota destacou a cooperação entre Brasil e Estados Unidos. A pasta lembrou que Lula entregou em 7 de maio, em Washington, uma proposta de medidas conjuntas contra a lavagem de dinheiro, para o compartilhamento de inteligência e o combate ao tráfico de armas. O governo brasileiro diz aguardar uma resposta dos EUA.
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