De acordo com a Global Market Insights, o mercado de portáteis de games é estimado em US$ 12,9 bilhões em 2025, enquanto se estima que ele chegue a US$ 16,6 bi em 2035. É um número que representa uma CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de 3,3%. A Nintendo lidera o mercado, com mais de 26,7% de share, mas ela não faz isso sozinha: as cinco maiores empresas – Nintendo, Valve, GPD, AYANEO e Anbernic – somaram 78,6% do mercado em 2025. É um número que nos mostra algo impressionante: três das cinco maiores fabricantes de portáteis do mundo são chinesas.

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O que ninguém esperava

GPD, AYANEO e Anbernic disputam atualmente o mercado com grandes empresas como Nintendo e Valve. Parte desse fenômeno se deve ao fato da China ser o maior polo fabricante do segmento – com marcas como Anbernic, Powkiddy, GPD, BittBoy, Miyoo e GoRetroid sediadas em seu território, enquanto o país possui um mercado próprio gigantesco.

Outro aspecto que se pode destacar é o seu modelo de negócio, com ciclos de lançamentos muito curtos que disponibilizam de quatro a cinco aparelhos por ano. Além disso, eles dispensam o varejo tradicional, com a venda direta em plataformas como AliExpress e Shopee, o que barateia o produto, enquanto a variedade de aparelhos atrai os mais diferentes públicos.

As duas vertentes dos consoles portáteis

Retroid Pocket 6 Redesigned – Imagem: Reprodução / Retroid

Os consoles portáteis chineses também possuem uma peculiaridade: eles trabalham em duas frentes diferentes. Primeiramente, há os “consoles premium”, PCs portáteis feitos para jogos convencionais, inclusive títulos AAA, com diferentes marcas como AYANEO, GPD e OneXPlayer. São consoles com faixa de preço entre US$ 800 a mais de US$ 3.000, de acordo com a potência do portátil.

Em contrapartida, há os handheld retrô como os modelos de Anbernic, Powkiddy, Miyoo, TrimUI e Retroid. São consoles bem mais baratos, com preço entre US$ 40 nos modelos de entrada e US$ 400 para os top de linha, destinados a emular jogos mais antigos: SNES, Megadrive, PlayStation, Nintendo 64 e até mesmo PSP nos modelos mais avançados.

Conforme compilação de dados da IconEra, o mercado de consoles handheld retrô foi avaliado em US$ 3,8 bilhões em 2025. No ano anterior, seu valor era de US$ 3,12 bilhões, o que representa um crescimento de cerca de 21% em um ano. Além dos valores de mercado levantados pela IconEra, as projeções de crescimento desse mercado de games retrô são notáveis: a previsão é de US$ 4,18 bilhões em 2026, e pode atingir até US$ 8,5 bilhões em 2033. São números que representam uma CAGR de 10% ao ano, o que supera até o mercado de consoles tradicionais, com crescimento anual em torno de 3% a 5%.

Entretanto, a categoria inteira de PCs portáteis – Steam Deck, ROG Ally, Legion Go e MSI Claw – soma menos de 6 milhões de unidades acumuladas, enquanto o segmento encolheu 50% entre 2023 e 2024, de 2,87 milhões para 1,49 milhão de unidades. Já a Nintendo despachou 19,86 milhões de Switch 2 – isso até 31 de março de 2026 – menos de dez meses após o lançamento. Ou seja, a “invasão” é real em número de marcas e em variedade, não exatamente em volume.

Desafios e o futuro da indústria

Anbernic RG35XX H – Imagem: Reprodução / Anbernic

Em 21 de abril de 2025, a Anbernic suspendeu os envios da China para os EUA por causa da política tarifária americana, que chegou a 145%, enquanto Retroid e Ayn fizeram movimentos parecidos. De forma similar, no Brasil, os tributos são cerca de 92% a 100%, além do valor da moeda frente ao dólar, o que eleva consideravelmente os preços dos consoles (mesmo com estoque nacional, um AYN Odin 2 sai por pelo menos R$ 2.200 e consoles top de linha por muito mais).

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Outro problema frequente é a questão das ROMs, que se encaixam como pirataria em muitos lugares do mundo. Como o caso do youtuber italiano Once Were Nerd: ele teve sua casa revistada pela Guardia di Finanza em abril de 2025, onde foram apreendidos mais de 30 consoles de Anbernic, PowKiddy e TrimUI, por promoção de material pirata. Não apenas isso, mas vários fabricantes já removeram jogos da Nintendo das suas bibliotecas (pré-carregadas nos consoles), após pressão da empresa.
Apesar desses problemas, em agosto de 2026, o beta do SteamOS 3.8.25 adicionou suporte atualizado para OneXPlayer Apex, OneXPlayer F1, Konkr FIT e AYANEO Pocket S2. Uma atualização que mostra como a Valve virou, de fato, a fornecedora do sistema operacional para os consoles chineses. Tudo isso nos mostra que, mesmo com tantos desafios, os consoles chineses vieram para ocupar espaço no mercado.
Leonardo Bueno
Leonardo Bueno é entusiasta de arte, literatura, games e RPG. Trabalha com tecnologia e games há mais de 10 anos.
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Rachele Victoria
Rachele Victoria é formada em Letras, MBA em Inovação e atua há 10 anos com comunicação e conteúdo gamer.
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